Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

Escrava da Palavra


Eu digo uma palavra, Demônio.
Repito uma palavra, Inferno.
O que foi que eu disse, nada.
Apenas me divirto, mente condicionada.
Diga uma palavra, o que quiser falar.
Uma frase inteira, sem medo, sem pensar.
Ria da sua crença, duvide do Emissário.
Não seja tão servil ao apóstolo Paulo
O que você mais teme
Qual é a sua fé?
Conta-me teu segredo
Do que você tem medo?
Olhe pro meu rosto, sou eu, naquele canto.
Vou dizer uma blasfêmia, contra o Espírito Santo.
O que você mais teme na sua religião?
Quantas palavras pra perder a salvação?

Sou eu naquele canto, brincando com o Eterno.
Sou eu naquele vale, tentado no deserto.
Sou eu naquele monte, onde brilha aquela luz.
Sou eu lá no Golgóta, pregado em uma cruz.
Digo-te uma palavra, uma frase, uma oração.
Nada é sagrado, na minha religião.
Querias liberdade? E o preço qual é?
Vender o pensamento, ser escrava da fé?
O que é teu não te pertence
Já roubaram tua mente
A doutrina é o medo
Não pensar é o segredo
Eu digo uma palavra, não quero dizer nada.
Diverte-me a reação da tua idéia assaltada,
Da tua coragem perdida, da tua crença alheia.
Porque não tem mulher no quadro da Santa Ceia?
Olhe pro espelho na frente da tua vida
Asas longas, rosto negro, imagem distorcida.
Sentado na penumbra, ser das trevas, homicida.
Sou Eu, o teu Demônio, te mostrando a saída.

By Glauco Garcez – poema: “escrava da palavra” – 01 de Setembro de 2006

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